domingo, 10 de maio de 2009


Gota d'Água de Chico Buarque

Com a espuma dos dias como pano de fundo, em que a humanidade se une num mesmo grito pela sobrevivência, em Gota d'Água só não é igual a energia efervescente com que qualquer pessoa no mundo acede aos sentidos mais profundos da Terra. Baseado na tragédia grega Medeia, de Eurípides, nada mais arrepiante do que a catarse de sentimentos de Joana (Izabella Bicalho) que sozinha cria os dois momentos de clímax existentes ao longo de 2h30. O público expectante e resistente aplaude no final sem sair do lugar. Um momento único, histórico e revolucionário que só se deu graças à subtileza com que estes actores brasileiros completos foram conduzidos a encontrar o perfeito equilíbrio entre a sua natureza aparentemente leve e o destino trágico das personagens de Medeia. Sem palavras, obrigada Mandrake.

sábado, 9 de maio de 2009

A repentina vontade de voltar a escrever - ou parar, que neste sentido vai dar ao mesmo diálogo introspectivo - é sempre sinal de uma revolta mental a chegar ao fim, que se recompõe a cada letra, a cada emoção descrita. Num dia nublado como este, em que nem a proximidade da Feira da Ladra e do esplendoroso miradouro da Graça me arrancam de casa, oiço novos sons para recuperar da temporada cinéfila e da obsessão.
Nada melhor do que começar pelo bodyspace para encontrar tudo aquilo que perdi musicalmente nos últimos tempos.
Nada melhor do que um dia refastelado na cama para voltar sentir a vida, a cada minuto que passa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A poucos minutos de adormecer

Sim, eu admito, esta é apenas uma forma de passar uma borracha na última fotografia e para esquecer aquele momento tão pouco feliz da vida.

Ando perdida, ao fim de 11 dias de espiral indielisboética, em que vivi mais do que um festival e muitos princípios de muitas coisas que ainda hoje não sei o que são, sinto o corpo a quebrar, a mente a delirar, a força a ir-se com o vento de maio. Procuro o silêncio numa paz descoberta recentemente com alguém, mas até aí o silêncio me atraiçoa.

Paz, sábado, paz, domingo.
Paz.

sábado, 2 de maio de 2009



Foi assim mesmo, com a sensação de que andei a carregar o mundo às costas e que não eramos muitos a sentir o mesmo, com o estômago apertado de vontade de tornar o IndieLisboa o IndieLisboa com a marca da Nádia, seja lá o que isso significa. Penso que ficou claro, mais uma vez, no meu corpo cansado e na minha mente extenuada, que eu vou morrer cedo, que não consigo deixar de correr atrás destes desafios loucos, destes desejos incontornáveis de viver a vida em GRANDE.
Que este grande vazio que me invade agora se transforme na coragem de amanhã...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ao fim de 5 dias de IndieLisboa...

Hoje uma jornalista estrangeira inaugurou um verdadeiro diário do Indielisboa, com a descrição de sensações e do ambiente do festival e com muitos elogios a um trabalho que me tem saído da pele.
Lembrei-me subitamente da ideia que tive há um ano para escrever um livro sobre...revelarei no próprio livro, uma coisa tão simples quanto relatar...as histórias que lá serão relatadas, esperando que a memória não me atraiçoe como em tantas ocasiões...
Ao fim de 5 dias de IndieLisboa e não só, lembrei-me de que estou viva, que a vida após o Indie continua e que o sol do verão está prestes a inundar esta cidade de uma sonolência enérgica, em que as poucas horas de sono são sinal de descontracção, gargalhadas e muito bate papo rodeada de verdadeiros amigos.
Ao fim de 5 dias de IndieLisboa e com uma paixão a brotar nas minhas mãos, quero ter todo o tempo do mundo para parar. parar. parar.