O verão dos Santiaguenses faz-se assim: neste grande cerro de São Cristóbal, rodeado por muitos outros que hoje e na maioria dos dias não se avista, pela presença do smog constante que há sobre a cidade. Duas piscinas gigantescas ao ar livre, salvação para dias como o de hoje com mais de 30 graus secos. Um local de encontro mais ou menos assumido para a comunidade gay, um local onde se percebe que ser chileno pode significar ser louro de olho azul como os alemães, índio como os Mapuche, o grupo indígena chileno mais expressivo, ou ainda moreno como os europeus do sul, de Espanha à Croácia. Ao longo da história, as portas deste país foram-se abrindo à medida das necessidades de povoação das várias regiões. E hoje é aqui que reside a maior comunidade de Palestinianos fora da Palestina.
Os primeiros sabores gastronómicos começaram com os parrotos, feijões envolvidos em puré de milho e abóbora, acompanhados por sumo de anona, no Galindo e um chocolate frio equatoriano no recém aberto bar Xoco por ti de um suiço apaixonado por uma chilena. Dia 1. Sim.
domingo, 12 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Jet Lag
Real dia 0. Dei dois passos e parei. Mais dois e parei. Uma hora de caminhada, os primeiros cheiros, as primeiras vistas de montanha, os primeiros traços faciais reconhecidos. E parei.
O calor aqui sufoca de dia e de noite desaparece, duas estações em 24h, cada uma delas bem carregada, a ditar o ritmo de cada movimento.
Em Vitacura, a vida é tranquila, os chilenos param nas passadeiras, os jardins de infância têm nomes alemães e os mini centros comerciais de bairro chamam-se centros culturais mas a verdadeira cultura que aqui ocorre é a dos cabeleireiros e das manicures. E há a montanha hipnotizante que me faz pensar na quantidade de vezes que a terra treme aqui e e na rapidez com que tudo à minha volta pode desaparecer. E parece que a terra gosta de tremer mais no verão do que no inverno. Ainda não sei bem porquê.
O calor aqui sufoca de dia e de noite desaparece, duas estações em 24h, cada uma delas bem carregada, a ditar o ritmo de cada movimento.
Em Vitacura, a vida é tranquila, os chilenos param nas passadeiras, os jardins de infância têm nomes alemães e os mini centros comerciais de bairro chamam-se centros culturais mas a verdadeira cultura que aqui ocorre é a dos cabeleireiros e das manicures. E há a montanha hipnotizante que me faz pensar na quantidade de vezes que a terra treme aqui e e na rapidez com que tudo à minha volta pode desaparecer. E parece que a terra gosta de tremer mais no verão do que no inverno. Ainda não sei bem porquê.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Chegada
Raramente tenho oportunidade de dizer. Thank you USA. Mas desta vez mordi várias vezes a língua porque a United Airlines (sim, a mesma companhia que foi alvo do 11 de Setembro), resolveu todos os meus problemas de atrasos, remarcação de voos, noite em hotel em Nova Iorque, senhas para refeições em menos de 5 minutos e sem pestanejar. Senti-me uma verdadeira cliente com direitos adquiridos irrevogáveis. E
soube bem.
Depois deste início de viagem atribulado, dois momentos a registar apenas: a chegada ao Panamá, com os seus 24º graus húmidos a premiarem-me com o primeiro verdadeiro sentimento de férias e a chegada a Santiago do Chile, com o sorriso impagável da Rosa à minha frente. Pelo caminho, ficaram pessoas: uma mãe colombiana que me tratou como uma verdadeira filha ao longo de 6 horas de voo, um fotógrafo polaco de meia idade que carregou as minhas malas com os bons modos polacos que eu bem conheço, voluntário num projecto de médicos sem fronteiras num barco que navega pela América Central, uma espanhola a viver no Panamá que defende uma revolta silenciosa dos europeus através de uma semana de total paralisação da economia e o Stéphane Thirion que, para quem conhece, apareceu do nada no aeroporto de Newark. Ia a caminho de casa, São Francisco.
E hoje a manhã é quente e doce neste jardim da casa Podgorny em Vitacura.
soube bem.
Depois deste início de viagem atribulado, dois momentos a registar apenas: a chegada ao Panamá, com os seus 24º graus húmidos a premiarem-me com o primeiro verdadeiro sentimento de férias e a chegada a Santiago do Chile, com o sorriso impagável da Rosa à minha frente. Pelo caminho, ficaram pessoas: uma mãe colombiana que me tratou como uma verdadeira filha ao longo de 6 horas de voo, um fotógrafo polaco de meia idade que carregou as minhas malas com os bons modos polacos que eu bem conheço, voluntário num projecto de médicos sem fronteiras num barco que navega pela América Central, uma espanhola a viver no Panamá que defende uma revolta silenciosa dos europeus através de uma semana de total paralisação da economia e o Stéphane Thirion que, para quem conhece, apareceu do nada no aeroporto de Newark. Ia a caminho de casa, São Francisco.
E hoje a manhã é quente e doce neste jardim da casa Podgorny em Vitacura.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Filosofia de sofá #3
Prrimo Levi e Tullio Regge conversaram longamente durante 4 horas do meu tempo psicológico, pouco destinado a compreender grandes fenómenos químicos e físicos do mundo.
Descobri que os dias vão ter 40 horas, que a lua vai tornar-se num bilhar de ferro e que as estrelas serão um dia um buraco negro. Que tanto Regge como Levi foram auto-didactas, estudaram hebraico e leram Borges, e que sobretudo, ambos viveram cada segundo apaixonados por duas palavras: pensar e trabalhar. É absolutamente fascinante hoje imaginar o que será a felicidade diária vinda desta conjunção de prazer, dedicação e estímulo.
A palavra trabalho teve sempre uma conotação negativa associada ao sofrimento, ao cansaço e à dor, em línguas tão díspares como o latim, o grego, o alemão ou o japonês. Mas ingenuamente continuo a acreditar que o trabalho, ou seja o prazer, a dedicação e o estímulo, é o nosso verdadeiro caminho de realização pessoal. E o pensamento o seu sustento, a sua sombra, memória e futuro.
Estarei enganada?
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Filosofia de Sofá #2
Estamos em conflito, inadaptados e errantes, a devorar TEDs e, na verdade, a sermos obrigados a seguir a palavra de ordem actual: motivação.
Já nos tempos em que o homem se tornou homem e acordou num belo dia de sol eramos ser motivados. A motivação, o desejo, a curiosidade estão todos acima de uma outra coisa bem mais aflitiva: a sobrevivência. Pedem-nos por isso que voltemos ao instinto de sobrevivência, com um discurso enfeitado pela procura do eu, por uma viagem que reflecte, uma vez mais, a sociedade que criámos. À volta de uma outra palavra bem próxima da sobrevivência e da natureza do ser: o egoismo.
Como a ironia tem memória fraca, nem nos lembramos que, há poucos anos atrás, as palestras de auto-conhecimento/auto-encorajamento eram consideradas uma paródia para infortunados da vida que, em terapia de grupo, procuravam um novo rumo, uma esperança, um sorriso de um desconhecido que fosse para além de olhares mais desdenhosos do nosso cícrulo mais próximo.
Hoje parecemos estar todos neste cenário de desnorteamento. Ouvimos milhões de smart people a discursar para outros milhões de smart people com uma, vá duas mensagens: acreditem em vocês próprios e sintam-se motivados. Será disso que precisamos mesmo?
Aqui, nesta cidade e neste país, mais do que motivação, precisamos de compaixão. E de acreditar que, mesmo ao nosso lado, está um talento a brotar. E sabermos elogiá-lo, com sinceridade e apreço. E unirmos forças. E sermos mais fortes juntos.
A motivação essa, cá estará sempre, a vencer a guerra humana contra a sua própria destruição.
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