quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Interrupcao

Como nao encontro o c cedilha nem o til sem estar em cima do n neste computador, fico sem inspiracao e fico-me por aqui. em Valparaíso. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Santiago a Mil

Começou uma aventura única em Santiago.
O acaso ditou que a minha viagem tivesse lugar exactamente no momento em que está a decorrer o Santiago a Mil, o festival de teatro de Santiago, um festival ao meu ritmo, em que posso acabar cada dia com um espectáculo de teatro, uma performance, um concerto. Graças à Rosa! que comprou bilhetes para muitos dos espectáculos agora esgotados!

Na Quinta Normal - um parque popular, onde crianças e famílias tomam banho onde quer que haja uma fonte de água e onde todos vendem de tudo - uma feira popular antiga vinda da Catalúnia, com uma roda gigante onde os assentos são sanitas ou um carrosel puxado pelo pedalar de uma bicicleta.















À noite, a ida ao Teatro de la Puente, que como nome indica é um teatro numa ponte, que ainda por cima mexe! Um espectáculo de uma encenadora emergente chamado Turno, que apresentava o delírio de doentes em pós-operatório e a sua relação com a enfermeira.  E ontem, um grupo australiano especializado em desportos radicais urbanos e acrobacia apresentou uma perfomance, Concrete and No Bones, num parque de skate da cidade.




E para não deixar a cidade para trás...já posso dizer que sei o que ela é...uma cidade gigantesca que reflecte todos os contrastes de uma capital de um país em crescimento, onde a pobreza está ao lado de Jaguares e a comida tradicional chilena sofre uma verdadeira concorrência do fast food...Os mercados são um local de encontro, num deles há mais de 3000 pessoas a trabalhar, no La Vega, e outros são verdadeiros quarteirões a perder de vista que reflectem a diversidade das comunidades imigrantes que vivem neste país. Restaurantes coreanos, shwoarmas palestinos, entre muitos outros.

Tive ainda o prazer (e digo prazer porque aqui a morte é uma celebração) de visitar o cemitério com 117 hectares onde está enterrado Allende (por curiosidade, foi colocada uma cruz em frente ao seu masoléu quando ele era ateu...) e ver réplicas da Notre Dame ou do Taj Mahal, exuberâncias a que as famílias ricas chilenas chegaram. E ainda de descobrir o que são os "animitas", pessoas que, por terem morrido de forma trágica, ganham o poder de realizar milagres e por isso as suas campas enchem-se de placas e mais placas, com sonhos, desejos e pedidos.



















E por fim, a verdadeira lição de história: o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, que apresenta com testemunhos através de imagens, artigos e vídeos da época, com tudo o que se passou no Golpe de Estado de 1973 do General Pinochet contra o Salvador de Allende. Um tema quente, um tabu, que os chilenos ainda hoje não abordam com facilidade ou que, se abordam, fazem-no de forma sectária. Uma fase negra que ninguém tem ainda coragem de olhar de frente.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Curiosidade aguçada

O verão dos Santiaguenses faz-se assim: neste grande cerro de São Cristóbal, rodeado por muitos outros que hoje e na maioria dos dias não se avista, pela presença do smog constante que há sobre a cidade. Duas piscinas gigantescas ao ar livre, salvação para dias como o de hoje com mais de 30 graus secos. Um local de encontro mais ou menos assumido para a comunidade gay, um local onde se percebe que ser chileno pode significar ser louro de olho azul como os alemães, índio como os Mapuche, o grupo indígena chileno mais expressivo, ou ainda moreno como os europeus do sul, de Espanha à Croácia. Ao longo da história, as portas deste país foram-se abrindo à medida das necessidades de povoação das várias regiões. E hoje é aqui que reside a maior comunidade de Palestinianos fora da Palestina.

Os primeiros sabores gastronómicos começaram com os parrotos, feijões envolvidos em puré de milho e abóbora, acompanhados por sumo de anona, no Galindo  e um chocolate frio equatoriano no recém aberto bar Xoco por ti de um suiço apaixonado por uma chilena. Dia 1. Sim.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Jet Lag

Real dia 0. Dei dois passos e parei. Mais dois e parei. Uma hora de caminhada, os primeiros cheiros, as primeiras vistas de montanha, os primeiros traços faciais reconhecidos. E parei.

O calor aqui sufoca de dia e de noite desaparece, duas estações em 24h, cada uma delas bem carregada, a ditar o ritmo de cada movimento.

Em Vitacura, a vida é tranquila, os chilenos param nas passadeiras, os jardins de infância têm nomes alemães e os mini centros comerciais de bairro chamam-se centros culturais mas a verdadeira cultura que aqui ocorre é a dos cabeleireiros e das manicures. E há a montanha hipnotizante que me faz pensar na quantidade de vezes que a terra treme aqui e e na rapidez com que tudo à minha volta pode desaparecer. E parece que a terra gosta de tremer mais no verão do que no inverno. Ainda não sei bem porquê.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Chegada

Raramente tenho oportunidade de dizer. Thank you USA. Mas desta vez mordi várias vezes a língua porque a United Airlines (sim, a mesma companhia que foi alvo do 11 de Setembro), resolveu todos os meus problemas de atrasos, remarcação de voos, noite em hotel em Nova Iorque, senhas para refeições em menos de 5 minutos e sem pestanejar. Senti-me uma verdadeira cliente com direitos adquiridos irrevogáveis. E
soube bem.
Depois deste início de viagem atribulado, dois momentos a registar apenas: a chegada ao Panamá, com os seus 24º graus húmidos a premiarem-me com o primeiro verdadeiro sentimento de férias e a chegada a Santiago do Chile, com o sorriso impagável da Rosa à minha frente. Pelo caminho, ficaram pessoas: uma mãe colombiana que me tratou como uma verdadeira filha ao longo de 6 horas de voo, um fotógrafo polaco de meia idade que carregou as minhas malas com os bons modos polacos que eu bem conheço, voluntário num projecto de médicos sem fronteiras num barco que navega pela América Central, uma espanhola a viver no Panamá que defende uma revolta silenciosa dos europeus através de uma semana de total paralisação da economia  e o Stéphane Thirion que, para quem conhece, apareceu do nada no aeroporto de Newark. Ia a caminho de casa, São Francisco.

E hoje a manhã é quente e doce neste jardim da casa Podgorny em Vitacura.