sábado, 24 de janeiro de 2009

O Escafandro e a Borboleta

Talvez assim volte a escrever,
Num impulso vindo de uma pálpebra que mexe ao som de cada letra,
Numa memória que se transforma em fantasia absurda,
Num fumo que desenha lábios de vinho no céu.

Talvez assim volte a escrever,
A acariciar o vento com o olhar,
A atravessar uma cascata de cores,
A sentir um dedo do pé que chega e toca no meu,
E que não sabe mais para onde ir.

Vou escrever-te
Até que a saudade seja nostalgia sem vontade
Até que apague cada sílaba do teu nome
E que de ti só reste tudo o que não conheci.

Vou escrever-te
Para borrar os lábios,
Para olhar,
Para descobrir, afinal, tudo.

Enquanto o abcedário tocar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A todos os que nos deixaram em 2008

Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força
Que acordarás as fúrias do pálido e do frio,
De sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,
De sol a sol sonha através de tua boca cantante.
Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.
Não quero que minha herança de alegria morra.
Não me chames. Estou ausente.
Vive em minha ausência como em uma casa.
A ausência é uma casa tão rápida
Que dentro passarás pelas paredes
E pendurarás quadros no ar.
A ausência é uma casa tão transparente
Que eu, morto,te verei,vivendo,
E se sofreres, meu amor,
Eu morrerei novamente.

PABLO NERUDA

sábado, 13 de dezembro de 2008

Encurralada

Acabou o massacre à beira da vertigem, sem fim à vista. Como os princípios, os desvios, os caminhos tortuosos que me distraíram, nos últimos meses, de mim própria. Regresso, passo a passo, a um conforto anímico e exuberante, à sensação última de que há uma força que consegue sempre vencer todas as outras, menos necessárias, menos simples.

Como uma mão que se despega da minha boca e grita a liberdade da vida, um sonho por acontecer, uma gota de chuva que cai na minha testa, escorre pela cara abaixo, e me faz sorrir. sorrir.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fins de dia como este

Há dias assim, em que não importa se choveu ou se fez sol ou se as gargalhadas que o acompanharam foram uma era banda sonora que pouco interagiu com a nossa exitência.
São dias assim que instalam asensação de déjà vu, de repetido tédio que não transborda mas que está permanentemente presente.

São sias assim que se esquecem com um sábado vivido de manhã à noite.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Noites de verão

Não é que este frio que se faz sentir em pleno Agosto me transporte para aquela verdadeira nostalgia do verão, mas são os sítios e as caras que aqui encontro, ano após ano, que não perdoam.
Montar os toldos de família na praia, apanhar camarões, apendicites, levar o garda-sol da avó até à praia, enterrar amores na areia, cair das rochas, cafés e cartas, as primeiras bebedeiras, as primeiras asneiras, os primeiro passos para a independência. 29 anos depois, com mais betão e menos vontade de aqui estar, continuo pelo menos a conseguir cheirar o mar e a olhar a lua da minha varanda a cheirar a figos com o mesmo prazer.

E só isso não muda.

Um momento que brindo com:

Let's swim to the moon, ah ha
Let's climb through the tide
Penetrate the evenin' that the
City sleeps to hide
Let's swim out tonight, love
It's our turn to try
Parked beside the ocean
On our moonlight drive

Let's swim to the moon, ah ha
Let's climb through the tide
Penetrate the evenin' that the
City sleeps to hide

Let's swim out tonight, love
It's our turn to try
Parked beside the ocean
On our moonlight drive

Let's swim to the moon
Let's climb through the tide
You reach your hand to hold me
But i can't be your guide

Easy, i to love you
As i watch you glide
Falling through wet forests
On our moonlight drive
Moonlight drive
Moonlight drive (...)